24 de nov de 2012

As Tres Respostas

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Certa vez um imperador querendo satisfação
no seu reinado, buscou a resposta para as
seguintes perguntas:

Qual o tempo mais oportuno para se fazer
cada coisa?

Quais as pessoas mais importantes com quem
trabalhar?

Qual a coisa mais importante a ser feita?

O imperador publicou uma declaração,
dizendo dar um alto prêmio àquele que
fosse capaz de responder as perguntas.

Inúmeras pessoas se dirigiam ao palácio
oferecendo diferentes respostas.

Como nenhuma das respostas satisfez ao
imperador, nenhum prêmio foi concedido.

Após refletir por várias noites, o imperador
decidiu sair à procura de um eremita que
vivia na montanha, e que diziam ser um homem
iluminado. Sabia-se que ele jamais deixara a
montanha e não recebia ricos nem poderosos,
apenas os pobres. Ainda assim, o imperador
decidiu ir ao seu encontro para fazer-lhe as
três perguntas, disfarçado de camponês.
O imperador ordenou aos seus criados que o
esperassem ao pé da montanha enquanto ele
subiria sozinho.

Ao chegar ao lugar em que vivia o eremita,
o imperador viu-o lavrando a terra da horta
em frente a sua pequena cabana. Ao avistar o
forasteiro, o eremita acenou-lhe com a cabeça,
continuando a capinar. O trabalho era bastante
duro para um homem daquela idade, toda vez que
enterrava a enxada na terra, para revolvê-la,
um profundo suspiro acompanhava seu movimento.

Acercando-se dele o imperador falou:
"Vim até aqui para pedir sua ajuda.
Quero que responda três perguntas:

Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada
coisa?

Qual as pessoas mais importantes com quem
trabalhar?

Qual a coisa mais importante a ser feita?"

O eremita ouviu-o atentamente mas não
respondeu. Deu uma palmadinha amistosa no
ombro do forasteiro e continuou seu trabalho.

O imperador então disse:
" Você deve estar cansado, deixe-me dar uma
mão no seu trabalho".

Agradecendo, o eremita passou-lhe a enxada
e sentou-se no chão para descansar.

Depois de ter cavado dois canteiros, o imperador
parou e, voltando-se para o eremita, repetiu
suas três perguntas. Ao invés de responder, o
eremita levantou-se e apontando para a enxada
disse:
"Por que não descansa agora?
Eu posso retomar o meu trabalho de novo".

Mas o imperador não lhe passou a enxada e
continuou a cavar. Assim se passaram as horas,
até que o sol começou a se esconder atrás da
montanha. O imperador colocou a enxada de
lado e falou ao eremita:
'Eu vim até aqui para ver se você seria capaz
de responder minhas perguntas. Mas se você não
puder respondê-las, por favor, me diga,
para assim eu voltar para casa".

Levantando a cabeça, o eremita perguntou:
"Está ouvindo os passos de alguém correndo
ali adiante?"

O imperador voltou a cabeça e, de repente,
a frente de ambos, surgiu de dentro do mato
um homem com longa barba branca. Ofegante,
o homem tentava cobrir com as mãos o sangue
que escorria do ferimento no estômago,
avançando em direção ao imperador, antes de
tombar ao chão, inconsciente. Abrindo a
camisa do homem o imperador e o eremita viram
que ele havia recebido um corte profundo.

O imperador limpou a ferida, usando sua
própria camisa para atá-la, mas o sangue
empapou-a inteira depois de poucos minutos.
O imperador então enxaguou a camisa,
enfaixando a ferida pela segunda vez,
assim continuando, até parar de sangrar.

Ao recobrar os sentidos, o homem pediu água.
O imperador foi até o rio e trouxe-lhe uma
cumbuca de água fresca. Nesse meio tempo a
noite já havia descido e o frio se fazia sentir.
O eremita ajudou o imperador a carregar o
homem até a cabana onde o deitaram sobre a cama.
O homem fechou os olhos e adormeceu.

Esgotado por ter passado o dia escalando a
montanha e capinado a terra, o imperador
encostou-se contra a porta de entrada e
adormeceu. Quando despertou, o dia já estava claro.
Por um momento, não se lembrava onde estava e
para que tinha ido até ali. Esfregou os olhos e
viu o homem ferido que, deitado, também olhava
confuso ao redor.

Ao ver o imperador, o homem fixou-o, murmurando
com voz fraca:
"Perdoe-me, por favor".

"O que fez você para que eu o perdoasse?"
respondeu o imperador.

"Vossa Majestade não me conhece, mas eu o conheço.
Eu era seu inimigo declarado e tinha jurado me
vingar por meu irmão ter sido morto na guerra e
por minhas propriedades terem sido confiscadas.
Quando soube que V.M. vinha sozinho até aqui,
resolvi surpreendê-lo no seu caminho de volta,
e matá-lo.

Como não consegui vê-lo após ter esperado por
horas a fio, escondido na mata, decidi sair a
sua procura. Mas ao invés de encontrar V.M. dei
com seus criados que me reconheceram e me feriram.
Felizmente consegui escapar e correr até aqui.
Se eu não o tivesse encontrado, estaria certamente
morto agora. Eu tencionava matá-lo e V.M. salvou a
minha vida. Não tenho palavras para expressar o
quanto estou envergonhado e agradecido.
Se eu conseguir me recuperar, juro ser seu servo
pelo resto de minha vida e o mesmo ordenarei aos
meus filhos e netos. Por favor, dê-me o seu perdão".

O imperador sentiu uma extraordinária satisfação
por ver que havia se reconciliado com um ex-inimigo,
tão facilmente. não só lhe perdoou como também
prometeu devolver-lhe todas as propriedades e mandar
seu próprio médico e criados tratarem-no até que
se recuperasse totalmente.

Depois de ordenar aos criados que acompanhassem o
homem até o seu lar, o imperador voltou a ver o
eremita. Queria, antes de retornar ao palácio,
repetir as perguntas, uma última vez. Encontrou o
eremita agachado, semeando a terra que haviam
preparado na véspera.

Este, após ouvir novamente as perguntas do
imperador, disse calmamente:
"Mas suas perguntas já foram respondidas".

"Como assim?" indagou o imperador intrigado.

"Ontem, se V.M. não se tivesse compadecido de mim
e me ajudado a cavar a terra, teria sido
assassinado por aquele homem ao voltar para casa.

Portanto, o tempo mais oportuno foi o tempo em
que esteve cavando os canteiros, a pessoa mais
importante fui eu, e a coisa mais importante a
fazer foi me ajudar.

Mais tarde, quando o homem ferido apareceu,
o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve
tratando de seu ferimento, pois sem seu socorro
ele teria morrido e V.M. teria perdido a chance
de reconciliar-se com ele.

Da mesma forma, ele foi a pessoa mais importante,
e a coisa mais importante foi cuidar do seu ferimento.

Lembre-se de que só existe um tempo importante e
esse tempo é o agora. O presente é o único tempo
sobre o qual temos domínio.

A pessoa mais importante é o próximo,
aquele que está a sua frente.

E a coisa mais importante é fazer essa pessoa feliz".

PAZ E LUZ PARA TODOS VOCÊS!!!
  
-:¦:- E -:¦:-

Um Dia Abençoado para todos!!