4 de dez de 2016

UM POUCO SOBRE O PAI NOSSO

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O “Pai Nosso” é o mais importante de todos
os documentos cristãos.
Foi cuidadosamente formulado por Jesus,
com uma finalidade muito clara e definida.
É por isso que, de todos os seus ensinamentos,
esse é o mais conhecido e o mais
freqüentemente citado.
Quanto mais nós analisamos o “Pai Nosso”,
mais maravilhosa se evidencia a sua construção.
Esta oração, a maior de todas, foi elaborada de
maneira simples, clara e concisa, resumindo tudo
aquilo que é necessário para o desenvolvimento
da nossa vida material e espiritual.
Nada que seja essencial foi omitido.
Qualquer coisa a menos seria considerada
incompleta e qualquer coisa a mais seria
redundância, pura repetição.
Esta oração resume todos os deveres dos
homens para com Deus, para consigo mesmo
e para com o próximo.
Jesus previu que, à medida que os séculos fossem
passando, seus ensinamentos, seriam alterados,
com todas espécies de interferências externas,
que na verdade nada teriam a ver com o
espírito original.
Imaginou que no futuro, os homens que não
o conheceram, construiriam sistemas teológicos
e doutrinários que acabariam obscurecendo
a simplicidade da mensagem original,
levantando dessa maneira,
um muro entre Deus e os homens.
Jesus elaborou a oração de maneira a permitir
que ela atravessasse os séculos sem que
ninguém a alterasse, sem que pudesse ser
distorcida ou adaptada a nenhum sistema criado
pelo homem, e que contivesse toda sua mensagem.
Por isso, através de todas as mudanças e
reviravoltas da história do cristianismo,
esta oração chegou até nós sem alterações.
A oração engloba sete cláusulas que obedecem
a uma ordem e a uma seqüência perfeita.
Consideremos a primeira:
Pai Nosso que estais no céu
No início da oração, já na primeira frase,
há uma grande lição: “Pai Nosso”.
Ela não começa com “Meu Pai”, no singular, e sim no plural:
“Pai Nosso”, o que deixa bem claro,
que Deus é Pai de toda a grande família humana.
São filhos de Deus: todos os seres espalhados
pelo mundo inteiro, de todas as raças, de todas as nações,
de todos os povos, de todas as cores de pele e
de todos os credos religiosos.
Deus é Pai de todas as classes sociais:
dos pobres e dos ricos, dos sábios e dos ignorantes,
dos poderosos e dos humildes.
Deus é Pai de todas as classes religiosas,
indistintamente, pois são seus filhos os católicos,
os protestantes, os espíritas, os budistas,
os muçulmanos e os judeus,
e até os ateus que nele não acreditam.
E dessa Paternidade Divina, decorre como conseqüência
inalienável a Fraternidade Humana Universal.
Todos são filhos de Deus, todos são irmãos,
porque todos são amados por Ele igualmente,
sem exceções. Isto porque Deus está acima de
todas as competições, acima de todos os ciúmes
e rivalidades, acima de todas as disputas e contendas,
e acima de todo segmento religioso e partidário.
Santificado seja o Vosso Nome
Na Bíblia, o nome corresponde à natureza ou
ao caráter essencial das coisas ou das pessoas,
por isso, quando se fala como é o nome de Deus,
se fala qual é a sua natureza, e o seu nome,
segundo Jesus, é santificado.
O que significa “santificado”?
Buscando a origem da palavra,
verificamos que vem de “Santo”,
o que significa que a natureza de Deus
não só é digna da nossa veneração,
como também é completa e perfeita.
Santidade é a ausência de todo mal
e a presença de todo bem.
Deus é Santo, infinitamente perfeito e desejar
que o seu nome seja santificado,
é reconhecer a sua grandeza, a sua bondade,
a sua perfeição e desejar que a sua santidade
seja conhecida de todos os homens e que todos o louvem.
Venha a nós o Vosso Reino
Nesta cláusula da oração nós pedimos que o
Reino de Deus venha até nós.
Mas quando esse Reino de Deus vai
se estabelecer entre nós? É a dúvida que nós temos.
Quando virá esse tão falado Reino de Deus?
O nosso mundo aí está, conturbado,
cheio de problemas, guerras, misérias e desentendimentos.
Parece que vai de mal a pior.
E o Reino de Deus, que é um reino de amor,
de justiça e de paz, e que seria a solução, quando virá?
Pois bem, essa mesma dúvida tiveram os
discípulos de Jesus, que em certa ocasião lhe
fizeram a mesma pergunta, e Ele,
com toda a calma e autoridade que lhe era peculiar, respondeu:

“O Reino de Deus não virá com aparência exterior,
nem dirão ei-lo aqui, ei-lo ali ou ei-lo acolá.
O Reino de Deus está dentro de vós".

Vejam só, o Reino de Deus está dentro de nós,
dentro de cada um de nós. Portanto, basta a gente
fazer essa descoberta e se esforçar para desenvolver
o nosso Cristo interno, modelando os atos da nossa
vida por aquele ideal sublime que consiste em fazer
a vontade do Pai, ou seja, em colocar em prática o Evangelho.
Esse deve ser o objetivo principal da nossa vida:
vencer os nossos defeitos e desenvolver o Reino de Deus
que está dentro de nós. Se cada um melhorar um pouco,
no todo o mundo inteiro vai melhorar.
Aliás, certa feita disse o grande Mahatma Gandhi:

“Se uma única pessoa atingir a plenitude do amor,
ela neutraliza o ódio de milhões de pessoas”.
Seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu
Para entender esta cláusula da oração,
nós precisamos lembrar que Deus nós dá a
liberdade de fazermos o que quisermos.
Entretanto, muitas vezes nós usamos a nossa
liberdade de maneira negativa.
Pensamos e agimos de maneira errada e egoísta,
daí a origem de todos os nossos problemas.
Agindo diferentemente da vontade de Deus,
nós só traremos problemas para nós mesmos.
Portanto, não devemos nem por um momento,
tentar viver ou fazer planos sem pensar em Deus.
Sejam quais forem os nossos pensamentos ou atos,
relacionados com o nosso trabalho diário,
nossos deveres em casa, nossas amizades,
planos que fazemos para empregar o nosso tempo,
enfim, nas mais variadas circunstâncias,
nos mais variados ambientes, devemos ver e
agir conforme a vontade de Deus e não a nossa;
devemos ver e agir praticando o Evangelho e
seguir seus ensinamentos.
Assim nós estaremos no caminho certo do Cristo,
da felicidade e da paz.
A vida de Jesus na Terra foi um exemplo
dessa busca constante em fazer a vontade do Pai.
Uma das passagens evangélicas que deixa bem claro
o dever de fazer a vontade do Pai é o diálogo
de Jesus com a samaritana.
Nessa ocasião, os discípulos que tinham
ido à cidade buscar alimentos,
ao voltar insistiram para que Jesus comesse,
ao que Ele respondeu:

“Eu tenho um alimento para comer que vocês não conhecem.
Meu alimento é fazer a vontade daquele que me
enviou e completar a sua obra”.

Vejam bem: o alimento de Jesus é fazer a
vontade daquele que o enviou.
Uma outra passagem evangélica que demonstra
a necessidade de fazer a vontade do Pai é a
oração que Jesus faz no Monte das Oliveiras,
naquela hora triste, de terrível angústia,
antes de ser entregue, quando Jesus ora:

“Pai, se é possível, passe de mim esse cálice,
contudo, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres”.

É um exemplo de submissão ao Pai,
submissão à Deus, que sabe infinitamente muito mais do que nós.
Além do que, nunca é tarde para lembrar as palavras de Jesus:

“A cada um será dado conforme as suas obras.”
O pão nosso de cada dia dai nos hoje
Quando se fala em “pão nosso de cada dia”
a primeira idéia que surge é o alimento diário,
o nosso sustento. Para melhor entendermos esta cláusula,
devemos lembrar que a palavra “pão” na Bíblia
tem um sentido muito mais amplo do que um simples alimento.
Ela inclui não só o alimento diário necessário, mas também:
as roupas que nós precisamos para vestir,
casa para morar, trabalho digno, saúde,
condições de estudo, enfim, tudo aquilo que necessitamos
para a nossa sobrevivência material.
É importante lembrar que Jesus disse também:

“Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus”.

Portanto, o “Pão nosso de cada dia” se refere
também à tudo aquilo que seja indispensável
ao crescimento e à perfeição da nossa consciência espiritual;
em outras palavras, a realização do Reino de Deus dentro de nós.
Interessante observar que mais uma vez
encontramos a palavra “nosso” ao invés de “meu”.
Nós pedimos “o pão nosso” e não “o meu pão de cada dia”.
Isto significa que ao fazermos esta prece,
não estamos fazendo um pedido pessoal,
mas um pedido para todos os nossos irmãos.
Interessante também observar que dizemos “de cada dia”.
Isto significa que estamos fazendo um pedido
para aquele momento, para aquele dia,
e não para os dias subseqüentes, não para o futuro,
com o intuito de armazenar tudo aquilo
que a palavra “pão” engloba.
Dessa maneira estaremos observando outros
ensinamentos de Jesus, quando no “Sermão da Montanha”
Ele nos ensina dizendo:

Não ajunteis para vós tesouros na Terra,
onde a traça e o caruncho os corroem,
e onde os ladrões arrombam e roubam;
entesourai para vós tesouros no céu”.
“Não vos inquieteis por vossa vida sobre
o que haveis de comer, nem por vosso corpo
sobre o que haveis de vestir.
Não é a vida mais do que o alimento
e o corpo mais do que o vestido?”
“Olhai as aves do céu: não semeiam,
nem ceifam, nem recolhem em celeiros
e vosso Pai celeste as alimenta”.
Não vos preocupeis, pois, dizendo:
Que havemos de comer? Ou: que havemos de beber?
Ou: com que nos havemos de vestir?
Por tudo isso se afligem os gentios;
porém, vosso Pai Celeste bem sabe que
de tudo isso necessitais.
Buscai, pois, primeiro o reino de Deus e a sua justiça,
e tudo isso vos será dado de acréscimo”.
Perdoai as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido

Após dizer quem é Deus, quem é o homem,
como o Universo funciona, como devemos cumprir
a nossa missão, qual o verdadeiro alimento e
a maneira como o podemos conseguir,
Jesus passa ao perdão dos pecados.
A idéia que se tem é que o pecado parece
estar fora de moda no mundo de hoje,
ser coisa do passado. Muito pelo contrário.
O pecado é atualíssimo como sempre foi.
Mas o que é o pecado? É o erro, é o sentimento
de separação, de afastamento de Deus.
E a maior tragédia que o homem pode experimentar
é o afastamento de Deus, e isso ocorre quando erramos.
Quando Jesus nos deixou o “Pai Nosso”,
no tocante ao perdão das ofensas,
Ele nos colocou “entre a cruz e a espada”.
Por que “entre a cruz e a espada?”
Justamente porque na oração nós dizemos:
“Perdoais as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Portanto, o nosso próprio perdão depende
de perdoarmos aos outros, de perdoarmos
verdadeira e sinceramente, além de esquecermos
completamente a ofensa, por mais fundo que
tenhamos sido ofendidos, por mais que tenhamos sofrido.
A gente sabe que em determinadas situações
o perdão é difícil, entretanto, o perdão é
fundamental e o perdão é o passo inicial
para que a reconciliação aconteça.
Quanto mal-entendidos, quanto sofrimento,
quantos problemas e quanto tempo perdido
não poderiam ser evitados com um perdão
sincero e um esquecimento total das ofensas!
No Sermão da Montanha Jesus nos orienta:

“Apressa-te em concordar com teu adversário
enquanto vais com ele pelo caminho,
para que não suceda que ele te entregue ao juiz,
e o juiz ao ministro, e sejas posto em prisão”.
“Porque se perdoardes aos homens as suas faltas,
também vos perdoará vosso Pai celeste.
Mas, se não perdoardes aos homens,
vosso Pai também não perdoará os vossos pecados”.
Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal
Ao final do “Pai Nosso”, fazemos o pedido de
ajuda para quando a vida nos puser a prova.
É bem certo que errar é humano,
é errando que se aprende, mas permanecer no erro é burrice,
porque nos escraviza aos maus hábitos.
Não é, portanto, o erro que nos degrada,
é a submissão ao seu domínio.
O que afeta a nossa dignidade é cair na tentação,
porque o mal não está na tentação, mas sim na queda.
É aqui que nós pedimos a Jesus mais
forças para resistir às tentações do
que meios de nos preservar delas,
porque é na luta que se revelam os fortes,
é na luta com as tentações do mundo que nos aperfeiçoamos.
Se quisermos atingir aquela perfeição que o Cristo nos pediu:

“Sejam perfeitos como o Pai é perfeito”,

nós temos que vencer as tentações, afinal,
nós não fomos criados para ficarmos parados
nos acostamentos da vida. Nós fomo criados para
seguir a estrada da perfeição e quanto mais nós
exigirmos de nós mesmos, melhor será para nós.
Através desta pequena reflexão sobre a oração
do “Pai Nosso”, juntamente com a associação de
suas palavras com algumas passagens evangélicas,
nós vimos que ela engloba muitos dos ensinamentos de Jesus.
Se nós fizermos uma reflexão mais profunda,
veremos que o “Pai Nosso” engloba todo o ensinamento de Jesus.
Então, em uma escala de concisão,
nós temos o Evangelho, o Sermão da Montanha e o Pai Nosso.
Quando fazemos essa prece estamos, resumidamente,
revivendo todo o Evangelho de Jesus.
Os séculos passaram e passarão, mas as palavras
do “Pai Nosso” persistirão sempre,
como um farol a iluminar o barco da nossa
vida rumo à perfeição porque é uma obra divida,
e como toda obra divina, é eterna.

PAZ E LUZ PARA TODOS VOCÊS!!!
  
-:¦:- E -:¦:-

Um Dia Abençoado para todos!!

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