24 de fev de 2017

Solidão...

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Ela era uma velhinha que morava sozinha,
em uma grande casa.
Não tinha amigos porque, ao longo dos anos,
ela os vira morrer, um a um.

Seu coração era um poço de saudade e de perdas.
Por isso, ela decidira que nunca mais se
ligaria afetivamente a ninguém.

E, para se lembrar que um dia tivera amigos,
passara a chamar as coisas pelos nomes
dos amigos que haviam morrido.

Sua cama se chamava Belinha.
Era grande, sólida e confortável.
Mesmo depois que ela se fosse,
Belinha continuaria a existir.

A poltrona confortável da sala de
visitas se chamava Frida.
Haveria de durar muitos anos mais.

A casa se chamava glória.
Tinha sido construída há mais de cem anos,
mas não aparentava mais que vinte.
Era feita de madeira muito forte, vigorosa.

E o carro, grande, espaçoso se chamava Beto.
"haveria de servir", pensava a velhinha,
"para alguém, depois de sua morte."

E assim vivia a velhinha solitária.

Certo dia, quando estava lavando a lama de Beto,
um cachorrinho chegou no portão.
O portão não tinha nome, porque ela achava
que ele logo teria que ser substituído.
Suas dobradiças estavam enferrujadas
e a madeira apodrecida.

O animalzinho parecia estar com fome e
ela tirou um pedaço de presunto da
geladeira e o deu ao cão, mandando-o embora.

Porém, no dia seguinte, ele voltou.
E no outro e no outro.
Todos os dias, ele vinha,
abanava o rabo e ela o alimentava,
mandando-o embora.

Ela dizia que Belinha não comportava
um adulto e um cachorro,
que Frida não gostava que cães sentassem
nela e glória não tolerava pêlo de cachorro.

E Beto? Bom, esse fazia os cachorros
passarem mal.

Um ano depois, o animal estava grande,
bonito.

E tudo continuava do mesmo jeito.
Até que um dia ele não apareceu.

Ela ficou sentada na escada, esperando.
No dia seguinte, também. Nada.

Resolveu telefonar para o canil da
cidade e perguntar se eles tinham
visto um cachorro marrom.
Descobriu que eles tinham
dezenas de cachorros marrons.

Quando perguntaram se ele estava usando
coleira com o nome, ela se deu conta
que nunca dera um nome para ele.

Sentou-se e ficou pensando no cachorro
marrom que não tinha coleira com um nome.
Onde quer que estivesse,
ninguém saberia que ele tinha de vir
todos os dias até seu portão para
que ela lhe desse de comer.

Tomou uma decisão. Dirigiu Beto até o
canil e falou para o encarregado
que queria procurar o seu cachorro.

Quando ele lhe perguntou o nome do cachorro,
ela se lembrou dos nomes de todos os
amigos queridos aos quais havia sobrevivido.

Viu seus rostos sorridentes,
lembrou-se de seus nomes e pensou
em como fora abençoada por
ter conhecido esses amigos.

"Sou uma velha sortuda", pensou.

"O nome do meu cachorro é Sortudo", disse.

E gritou, ao ver os cães no grande quintal:
"aqui, Sortudo!"

Ao som da sua voz, o cachorro marrom
veio correndo. Daquele dia em diante,
Sortudo morou com a velhinha.

Beto parece que gostou de transportar
o cachorro. Frida não se incomodou
que ele sentasse nela.
Glória não ligou para os pelos do cachorro.

E todas as noites Belinha faz questão
de se esticar bem para que nela possam
se acomodar um cachorro marrom Sortudo...
e a velhinha que lhe deu o nome.

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Não temamos nos afeiçoar às pessoas.
Ninguém consegue viver sem amor,
sem amigos, sem ninguém.

Não nos enclausuremos em solidão,
nem percamos a oportunidade
extraordinária de amar.

Amemos a quem nos rodeia.
Também à natureza e os animais,
recordando que tudo é obra do
excelente pai que nos criou.

PAZ E LUZ PARA TODOS VOCÊS!!!
  
-:¦:- E -:¦:-

Um Dia Abençoado para todos!!

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